
Os ‘duplos’ sempre estiveram presentes nos livros, ao longo da história da Literatura. Tratadas sob vários ângulos, estas personagem foram tema para vários autores se aventurarem, através das semelhanças físicas, na construção de enredos mais ou menos fantásticos.
O nosso Nobel, José Saramago, com o seu O Homem Duplicado, foi um desses escritores. Criou também o seu duplo, criou uma história fantástica que tão bem me soube ler. Aliás, o seu livro veio mesmo a inspirar o filme Enemy, título em inglês, e traduzido para português com o mesmo nome do livro. Antes, outros, como Molière, Gogol também escreveram sobre o tema.
Em 1846 foi a vez do escritor russo, Fiódor Dostoiévski, com 24 anos de idade, escrever o seu O Duplo, livro que acabámos de ler. Um romance, com a ação a decorrer em São Petersburgo, em que um funcionário público se envolve numa luta fraticida com um seu homónimo. Em que um homem, solitário, vê nesse outro, um seu concorrente que, com a conivência de todos, dos colegas e das chefias, se transforma num fantasma que nasceu para o derrotar, para o aniquilar.
Os diálogos, os avanços e os recuos da personagem principal na relação/luta com o seu duplo, fazem deste romance uma obra cheia de conflitos psicológicos, de uma loucura absurda de um homem, de um olhar para o outro, para o seu duplo, por vezes, até, como uma versão melhorada de si próprio. Enfim, estamos ante uma obra especial, um obra quiçá estranha, mas uma obra singular que acaba por nos marcar por esssas particularidades que só os grandes autores conseguem criar.
Título: O Duplo
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Editorial Presença