
Era popularmente conhecida por Feira dos Vinte, a feira anual que se realizava em Sátão no dia 20 de agosto, dia de São Bernardo, feriado municipal desde 1969.
Era uma feira que atraía à vila de Sátão milhares de pessoas, vindas das povoações do concelho e dos envolventes.
Era miúdo e este dia, o da feira de ano, era sempre esperado com enorme ansiedade. Era um dia bem diferente, que fugia das duras rotinas dos trabalhos de verão.
Bem me lembro do concurso pecuário e da feira do gado, onde os criadores e os comerciantes da região vinham mostrar, vender e comprar os “tratores” da época, as vacas com que iriam lavrar as terras para se semearem os nabos e plantar as couves do Natal e acarretar o milho para as lajes e as uvas para os lagares, em dornas de madeira.
Bem me lembro deste dia, em que o cheiro do frango na brasa e as tiras de carne entremeada nos abriam o apetite logo pela manhã, mas tais iguarias só as comíamos mais tarde, lá para as 11 ou meio-dia, já com o estômago atormentado por aquele perfume que não nos dava tréguas. As bebidas com que se acompanhava aquele almoço supimpa eram o vinho na jarra para os adultos e a laranjada para a miudagem. à sobremesa nunca faltava o melão casca de carvalho, escolhido pelo vendedor, dentre um monte deles que se acumulavam na carroçaria de uma furgoneta.
As ruas da vila transformavam-se numa superfície comercial
Bem me lembro da enorme superfície comercial em que se transformavam as ruas da vila, onde os comerciantes acampavam desde madrugada, ou do dia anterior, para apanharem o melhor dos lugares e as pessoas se acotovelavam naquele labirinto pejado de tendas e de bancadas de venda.
Bem me lembro das provas desportivas e culturais que se realizavam naquela altura. O ciclismo, o atletismo, um jogo de futebol entre a A.D. Sátão e uma equipa convidada, os jogos florais, a perícia automóvel, com carros de turismo e condutores da terra…
Bem me lembro de ter assistido a espetáculos protagonizados por artistas de primeiríssima linha a nível nacional e, quiçá, internacional: Amália Rodrigues, Roberto Leal, As Doce, GNR, Frei Hermano da Câmara, Linda de Suza, Nicolau Breyner e Herman José, Duo Ouro Negro, Trio Odemira…
Bem sei que os tempos são outros e a feira e festas de Sátão evoluíram, adaptaram-se às novas realidades e, hoje como ontem, elas não agradam a todos, porém, são e serão, sempre, o resultado das opções da comunidade.
Acácio Pinto, 20 de agosto de 2025
Nota: Escrevo e publico este texto antes da atuação dos CALEMA que hoje à noite, dia 20 de agosto de 2025, subirão ao palco. Vaticino, e creio que não me enganarei, que assistiremos à maior concentração de pessoas em terras de Sátão para assistir a um concerto musical.
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