
Sob o título em epígrafe1958: O General Sem Medo, esta publicação, inserida na coleção “Os anos de Salazar – O que se contava e o que se ocultava durante o Estado Novo”, traça uma perspetiva daquilo que aconteceu com as eleições presidenciais de 1958, enquadrando-as com acontecimentos que aconteceram em Portugal e no mundo nesse ano.
E se o meu foco, ao ler esta publicação no âmbito do romance que estou a escrever, se centrou nas eleições em que o General, que disse, em Chaves, “estou disposto a morrer pela liberdade”, deparei-me também com um acontecimentos relacionado com o contexto internacional dessa época que, pela sua atualidade (guerra EUA-Irão), aqui abordo.
Então qual é a ligação da RAU (República Árabe Unida) com a candidatura de Humberto Delgado? Nenhuma, para além do facto de ambas terem ocorrido em 1958.
E então o que foi a RAU?
Pois bem, a RAU, num ano em que Salazar tratava de controlar umas eleições presidenciais que se lhe revelavam problemáticas, forjando um resultado final, resultou da vontade dos presidentes do Egito e da Síria se unirem e formarem um único Estado que visava uma esperança numa grande nação árabe.
O plebiscito ocorreu nos dois países e a união foi sufragada quase a 100% pelos dois povos. E foi assim que a 22 de fevereiro os dois países se transformaram num único a que aderiu pouco depois o Ieman, embora este conservando a sua soberania.
Porém, em 1961 o sonho do presidente egípcio, Nasser, terminava com um golpe militar na Síria. Ora este episódio só vem confirmar aquilo a que todos vamos assistindo naquela região. Tudo no Médio Oriente é muito volátil: os acordos, as alianças, as ingerências externas, as guerras civis…
Tudo mudo ao ritmo dos interesses das grandes potências internacionais e dos alinhamentos estratégicos que se vão fazendo e desfazendo à velocidade da luz e, curiosamente ou não, há sempre petróleo no subsolo!
TÍTULO: 1958: O General Sem Medo
EDITOR: Centro Editor PDA 2007
Páginas: 208